Acervo · Cosmologia autoral
Era maciço
Minha pergunta sempre foi quem sou e de onde viemos. Nunca imaginei que a resposta viria como algo que se vê.
- esfera maciça
- explode
- torce girando, um lado para cada lado
- volta ao centro, quase esfera
O que vi
No vazio, algo maciço.
No vazio absoluto, potencial de toda criação, havia algo maciço. Compacto como um planeta, mas vivo, pulsante. Tinha cor: cobreado, com manchas. Não era uma estrela nem um planeta. Era matriz, algo inicial, gerado a partir do vazio, além de qualquer compreensão universal, de qualquer faixa e plano.
Era algo estável. Depois se tornou algo em movimento, se mexendo, vivo.
O movimento
Explodiu para dentro, e não parou mais.
Por algum desequilíbrio, ele explodiu. Eclodiu. Mas os pedaços não voaram para longe: girava e se torcia em si mesmo, voltando ao mesmo ponto. Nunca mais estabilizou. Lembrava um buraco negro, mas não o olho escuro com anéis que consome matéria. Era algo girando e se torcendo em si mesmo.
É como se tivesse explodido e a própria força gravitacional empurrasse para tentar se tornar esfera estável de novo, mas não consegue. Começa como uma esfera maciça, perfeita. Explode, expande girando e se distorcendo, contrai e tenta se recompor, mas já não consegue mais, e expande de novo, girando e torcendo.
É como se fosse material, e não matéria, se contorcendo em si mesmo. Quase um efeito de desdobramento de plano, dobrando o espaço onde está. Parece uma molécula esférica se mexendo para todos os lados, esticando, girando, voltando a si mesma. Já vi algo assim no micro, não lembro onde. Ali era macro.
A esfera explode e os estilhaços tentam fugir, mas o núcleo gera tanta pressão que puxa tudo de volta. Nesse puxar, os restos formam rapidamente um cilindro; com o giro, um lado torce para a direita e o outro para a esquerda, e o meio afina onde está o núcleo. Depois expande de novo e, como continua girando, a forma aparece em outra direção: na vertical, na horizontal, às vezes na diagonal. Tudo muito rápido e contínuo, sem pausa e sem troca de movimento, como um organismo redondo se mexendo: algo molecular, vivo e pulsante, que não trava para se mexer.
É como imaginar a Terra explodindo e lançando seus pedaços para o espaço, mas o núcleo puxando tudo de volta: terra, água, todo o resto. Não tem borda. A forma é feita dos próprios restos, e a força do núcleo é tão grande que dobra o vazio em volta dele.
O núcleo continua lá, no meio dos estilhaços. Não deixou de ser um astro: é uma concentração escura, um cobre quase preto. Parecia um buraco, mas de outra energia. Por isso a semelhança com um buraco negro, mas diferente do que vemos. Esse núcleo é do maciço, e não é a Esfera Mãe.
No caderno, desenhei o núcleo no centro, os lóbulos que saem dele e voltam a ele e as setas do giro, no sentido anti-horário. O contorno que parece um cilindro não é uma borda: é o movimento desenhado em várias partes numa única imagem. Dessa explosão nasceram a dualidade e tudo o que conhecemos. Quando dizem que o universo se expande, compreendo que é isso.
Tudo dentro dele
Não há nada maior, porque não é algo a ser medido.
Tudo está dentro dele: todos nós, os planetas, as estrelas, o material e o imaterial, todo o potencial, e a própria Esfera Mãe. É um selo para tudo o que foi criado. Não há nada maior, porque não é algo a ser medido. Apenas é. Somos todos nós experimentando a nós mesmos, em várias camadas da consciência, da matéria e da não matéria.
Pelo que compreendo, estamos dentro desse núcleo: depois de explodir, ele criou na dobra o que chamam de universo. Provavelmente vivemos numa realidade dentro dele.
No caderno daquele dia, ficou escrito: “Tudo evolui, somos infinitos, o universo não tem tamanho!”
O caderno
Os desenhos de 20 de novembro de 2022.
Escrevi e desenhei logo depois da cerimônia, antes de gravar o vídeo daquele dia. Não sei explicar além dos desenhos.



Os registros
A mesma visão, ao longo do tempo.
A imagem não mudou. Mudou a linguagem com que fui conseguindo dizê-la. Estes são os registros, na ordem em que aconteceram.
- Vídeo gravado depois da cerimônia
Quem me explica, nesse relato, é o ser de luz que se plasmou daquela estrela, o Sol Central, que depois reconheci como Sírius.
“Ele me explicou que o Universo também é como se fosse um era maciço, é como se algumas consciências se rebelassem e ele explode. Ele não explode, explode para dentro, imagina uma estrela, quando ela explode, ela vira para dentro e vira um buraco negro. Só que esse Universo é como se ele fosse um cilindro, que ficasse virando entre ele mesmo, para dentro, para dentro e saindo.”
“O Universo, ele vira dentro dele mesmo, sempre mudando, sempre virando, é como se fosse uma matéria escura virando.”
- Nota “Luz e sombra”
“Na minha consagração de ayahuasca, vi que o universo era maciço, um círculo perfeito no vazio. Este mesmo eclodiu para dentro de si, então toda matéria fica volátil girando para fora e para dentro, se transformou num buraco negro. Houve a separação da luz e da sombra como me mostrado.”
“Essa esfera não explodiu. Ela dobrou-se sobre si mesma, como se o universo tivesse piscado de dentro para fora.”
- Nota “O todo”
“Na ayahuasca vi que o que chamam de universo, tudo que existe, era uma esfera maciça habitando o vazio potencial. Essa esfera explodiu, eclodiu, e sim, ao meu ver, parece um buraco negro, mas diferente dos que sabemos: algo mais sofisticado, porque habita todos nós.”
As transcrições dos vídeos são automáticas e estão reproduzidas como foram faladas. Nas notas, ajustei apenas a grafia.
Onde isto se situa
Do todo à vida comum.
Para não confundir o que é diferente, deixo a ordem como ela está no acervo, do mais amplo ao mais próximo.
- Era maciço. O todo que contém tudo, inclusive a Esfera Mãe. É este texto.
- A Grande Esfera Mãe. O que muitos chamam de Deus, e eu chamo de Fonte. A energia viva que abracei em fevereiro de 2023 era extensão dela; o nome veio depois, de um guardião.
- O Sol Central. Sírius, de onde venho: uma origem entre muitas, cada sol com a sua linhagem.
- A Terra. A vida comum, onde tudo isso se aprende e se pratica.
Como ler este texto
Uma experiência não pede licença.
Foi tão nítido olhar para aquilo quanto respirar. É tão simples e tão sofisticado que as palavras não conseguem descrever, porque não cabe em nenhuma compreensão que já exista. Não sei elaborar melhor do que isso. É algo meu, que eu vi.
Por isso não ofereço isto como teoria, nem coloco em disputa com nenhuma ciência ou doutrina. Não compete com nada e não pede licença: ocupa o espaço da experiência, que ninguém questiona.
Sobre o caminho pelo qual isso chegou, vale o mesmo cuidado de sempre: veio em trabalho com ayahuasca, em contexto de tradição e com preparação, e o que se faz com uma experiência dessas é integrar, depois, na vida comum. Trato disso em Ayahuasca: tradição, consciência e integração.
“Tão simples quanto respirar é compreender isso como eu compreendi!”Nota “O todo”, 4 de outubro de 2026
Continuidade
Por onde seguir.
- O universo dentro de um buraco negroA cosmologia em que esta visão se insere: o movimento para dentro, o Sol Central e a vida na matéria.
- A Fonte e a Grande Esfera MãeO que está dentro do todo: a Fonte, de onde tudo parte e para onde tudo retorna.
- Sol Central e as linhagens de consciênciaA origem e as famílias de consciência que saem dela.
- Campos de origemO fundamento do portal: do invisível à vida comum.
