Reflexão autoral · Origem · Cosmologia poética
O começo invisível
Silêncio, esfera e criação em movimento. Um poema em prosa sobre a origem.
Antes de qualquer som, antes de qualquer forma, havia o silêncio absoluto. Um vazio que não era ausência, mas potencial. No meio desse não-espaço, girava uma esfera. Não era uma esfera comum. Era densa como tudo e vazia como nada. Não tinha cor, mas transbordava energia escura e sagrada.
Essa esfera não explodiu. Ela dobrou-se sobre si mesma, como se o universo tivesse piscado de dentro para fora. Era um portal, um buraco, uma semente cósmica, um Útero do Infinito que respirava em ciclos incompreensíveis. Em certos instantes, parecia conter todas as galáxias. Em outros, era menor que o pensamento. Girava incessantemente, dobrando espaço, tempo, luz e sombra, como se contasse uma história sem começo ou fim.
Estrelas dançavam ao redor de seu centro, não como satélites, mas como testemunhas. Cada giro seu era um gesto criador. Cada dobra no espaço era um universo nascendo. Ali não havia passado nem futuro, apenas o Agora Eterno, onde tudo que foi, é e será, pulsa em uma única batida silenciosa.
Essa esfera era o coração do mistério.
E dentro dela, talvez ainda estejamos todos sonhando que existimos fora.
