Expansão de Origem
Caminho até a Fonte

Estudo e fundamentos

Espiritismo, mediunidade e continuidade da vida

O Espiritismo afirma que a vida não termina no corpo, que os espíritos se comunicam, e que essa comunicação pode ser estudada com método. É a raiz mais direta da Apometria, e conhecê-lo é conhecer de onde vem metade do que eu faço.

Um professor aplicou método ao que todos tratavam como curiosidade.

Em meados do século XIX, mesas girantes e comunicações atribuídas a espíritos eram moda de salão na Europa. Hippolyte Léon Denizard Rivail, pedagogo francês formado na escola de Pestalozzi, foi examinar aquilo com a desconfiança de quem passou a vida ensinando a pensar. Segundo seu próprio relato, encontrou nas comunicações uma coerência que decidiu investigar.

O procedimento que Kardec descreve está na base da codificação espírita: em vez de acreditar ou negar, montou um procedimento. Formulou milhares de perguntas, submeteu as mesmas questões a médiuns diferentes, em lugares diferentes, sem contato entre eles, e comparou as respostas. Descartou o que era contraditório e o que era pessoal. Manteve o que convergia. Publicou o resultado em 1857 sob o nome de Allan Kardec, e chamou de doutrina, não de religião.

Essa origem explica o caráter do Espiritismo: ele nasceu com vocação de estudo. Tem corpo doutrinário, tem obras de referência, tem critério de verificação e tem uma exigência moral no centro. Não é fé cega nem é ciência de laboratório. Estudo, prática mediúnica e orientação moral caminham juntos nessa doutrina.

Cinco afirmações sustentam tudo o mais.

01Deus

Inteligência suprema e causa primária de todas as coisas. Nada acontece fora dessa ordem.

02Imortalidade da alma

A consciência preexiste ao corpo e continua depois dele. O corpo é instrumento, não origem.

03Comunicabilidade dos espíritos

Encarnados e desencarnados podem se comunicar, e essa troca acontece o tempo todo, com ou sem consciência disso.

04Reencarnação

A alma vive muitas existências, e cada uma é oportunidade de aprendizado e reparação. É a lei que dá sentido à desigualdade dos destinos.

05Pluralidade dos mundos habitados

A vida não é exclusividade da Terra, e há mundos em graus diferentes de evolução. É um dos pontos mais antigos da doutrina, e um dos mais atuais.

Desses cinco decorre o resto: a lei de causa e efeito, a responsabilidade individual pelas escolhas, a existência de planos e faixas vibratórias, e a ideia de que evoluir não é acumular conhecimento, é melhorar de caráter.

Cinco livros formam o corpo doutrinário.

O Livro dos Espíritos (1857) traz a doutrina em mais de mil perguntas e respostas, e é onde tudo começa. O Livro dos Médiuns (1861) é o manual prático: tipos de mediunidade, como conduzir uma reunião, os riscos, as fraudes e a disciplina necessária. O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864) é o coração moral, lendo os ensinamentos de Cristo à luz da doutrina. O Céu e o Inferno (1865) trata da justiça divina e do que acontece depois da morte. A Gênese (1868) enfrenta criação, milagres e as leis da natureza.

Todos estão em domínio público há muito tempo, em português, e podem ser lidos integralmente sem custo. Para quem quer entender o assunto pela fonte em vez de por resumo, começar por O Livro dos Espíritos ainda é o melhor caminho que existe.

Mediunidade é sensibilidade, e sensibilidade se educa.

A doutrina afirma que todos têm algum grau de mediunidade, porque todos são espíritos e a troca entre planos é natural. Em algumas pessoas essa percepção é mais forte e mais evidente, e é a essas que se chama médium. Não é prêmio, não é prova de evolução e não é sinal de escolha especial.

Por isso, desenvolver a mediunidade pede estudo e orientação. Uma sensibilidade aberta e sem formação leva a pessoa a confundir intuição com desejo, a se cansar sem entender por quê, a se assustar com o que percebe e a se achar importante por perceber. A doutrina insiste em estudo, disciplina, humildade e finalidade útil, e não por moralismo: é o que protege quem percebe.

A doutrina também é explícita no que exclui: mediunidade não se cobra, não se exibe e não serve para adivinhar futuro nem para satisfazer curiosidade. O critério é a utilidade do que se faz com ela.

A percepção chega por canais diferentes.

Intuitiva

A mais comum e a menos percebida. A ideia chega como se fosse sua, pronta, sem que você a tenha construído.

Vidência

Percepção de imagens, cenas e presenças, de olhos abertos ou fechados, nítida ou em vislumbre.

Audiência

Percepção de sons, frases ou nomes, ouvidos por dentro e não pelo ouvido físico.

Psicofonia

A fala. A comunicação se expressa pela voz do médium, com maior ou menor grau de consciência dele.

Psicografia

A escrita. A comunicação chega pela mão, e foi por esse canal que boa parte da literatura espírita se formou.

Sensitiva

Percepção pelo corpo: peso, frio, aperto, alívio. É a que mais confunde quem não sabe separar o que é seu.

Uma pessoa costuma ter mais de um canal, com um deles predominando. Saber qual é o seu muda tudo, porque cada canal tem um jeito próprio de enganar e um jeito próprio de ser confiável.

Obsessão e desobsessão.

Obsessão, no vocabulário espírita, é a influência persistente de um espírito sobre uma pessoa encarnada. Ela vai do simples aborrecimento à fascinação, quando a pessoa passa a defender como sua uma ideia que não é, e à subjugação, quando a influência alcança o corpo e a vontade. A doutrina é clara sobre a causa: a sintonia. O que aproxima é a afinidade, e é por isso que a saída também é vibratória.

Desobsessão é o trabalho de esclarecer essa relação. A orientação central do Espiritismo é esta: não se expulsa, se esclarece. O espírito que obsedia é tratado como alguém que sofre e não sabe sair, e o auxílio se dirige aos dois lados. Quem nunca leu a doutrina se surpreende com isso, porque a imagem popular do assunto é exorcismo, e a prática real é conversa, argumento e encaminhamento.

Fora da caridade não há salvação.

Essa frase é o resumo moral da doutrina, e ela desarma o risco que toda espiritualidade carrega. Não importa quanto alguém percebe, estuda, canaliza ou conhece de técnica: o critério é como trata as pessoas. Conhecimento sem caridade produz vaidade, e vaidade é a porta mais larga que existe para a queda.

É também por isso que o trabalho espírita é gratuito nas casas. A caridade ali não é esmola, é o exercício deliberado de servir sem cobrar, para que a força não vire mercadoria e quem serve não se ache dono dela.

É daqui que a Apometria nasceu.

A ligação é direta e documentada. A Apometria foi sistematizada por José Lacerda de Azevedo, médico, dentro do Hospital Espírita de Porto Alegre e da Casa do Jardim, em ambiente espírita e mediúnico. Os seus fundamentos são os desta página: existência do espírito, sobrevivência à morte, comunicabilidade, reencarnação, obsessão como sintonia e desobsessão como esclarecimento.

O que a Apometria acrescentou foi técnica: o desdobramento por comando, os campos de força, o deslocamento no tempo, o tratamento dos corpos. Mas a cosmologia embaixo continua sendo a espírita. Quem estuda Apometria sem conhecer o Espiritismo aprende procedimento sem entender o chão em que pisa.

O que eu uso do Espiritismo no atendimento.

Uso a cosmologia e o critério moral. A compreensão de que a consciência continua, de que existe troca entre planos, de que a sintonia é o que aproxima e de que esclarecer vale mais que enfrentar, atravessa tudo o que eu conduzo. E uso a exigência espírita de discrição e sobriedade, que é o que mantém um trabalho honesto.

O que eu não faço é o formato de casa espírita: não tenho mesa, não trabalho com equipe de médiuns incorporando e não conduzo reunião mediúnica. O meu atendimento é individual e online, e a frente tradicional pertence aos grupos que a sustentam bem. Quem precisa dela precisa de um grupo, e é para um grupo que eu encaminho.

Fontes e notas

Allan Kardec, O Livro dos Espíritos (1857), a doutrina em perguntas e respostas. Domínio público.; Allan Kardec, O Livro dos Médiuns (1861), o manual prático da mediunidade. Domínio público.; Allan Kardec, O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864), o centro moral da doutrina. Domínio público.; Allan Kardec, O Céu e o Inferno (1865) e A Gênese (1868), que completam as obras básicas.; José Lacerda de Azevedo, Espírito/Matéria (1988), onde o Espiritismo encontra a técnica apométrica.; Materiais de desenvolvimento mediúnico usados na minha formação.